Várias vezes argumentei  contra a energia nuclear, não que não ache o debate necessário, mas pelo simples facto de quem coloca o tema na agenda o faz muitas vezes desconhecendo a realidade ou então tenta iludir o povo com falsos argumentos economicistas. Numa das ocasiões apresentei 5 argumentos (que podem rever clicando no link) nos quais explicava, genericamente, que o país importava principalmente derivados do petróleo e que iam direitinhos para os milhões de automóveis a acelerar pelas nossas estradas fora. Outra ocasião divulguei dados sobre o número crescente de automóveis no país. É provável que muitos tenham sido abatidos das listas, de qualquer modo continuam a ser milhões, vejam aqui o texto de oututubro de 2006.

 

FONTE: DGEG, Balanços Energéticos

 

Refazer as contas neste momento exige tempo, coisa que não tenho actualmente, não deixo mesmo assim de inserir acima dados sobre o consumo de energia primária no período 1990 a 2006, relativamente ao carvão, petróleo, electricidade (1GWh = 86 tep), gás natural e outros (contém lenhas e resíduos vegetais, resíduos sólidos urbanos, licores sulfíticos, biogás e biodiesel), em Ktep.

Creio que os dados relativos ao consumo de energia primária continuam a demonstrar que dependemos sobretudo do petróleo, ora, a não ser que os automóveis passem todos a ser eléctricos não vejo grandes motivos para se pensar na energia nuclear no país, até porque, como sabem, as energias alternativas têm cada vez mais capacidade instalada. É preciso contar com os custos do projecto, a quase certa mobilização das populações afectadas, mas também é preciso pensar no problema dos resíduos e no desmantelamento da central, ou esperam que sejam os privados a investir e a lucrar com a energia nuclear e depois sejam os dinheiros públicos a resolver as heranças?

Ah! É verdade, no caso de construção de uma central nuclear creio que o nosso concelho e região têm tudo para ser premiados, pois além das minas da Urgeiriça têm o rio Mondego mesmo ali de feição.

publicado por José às 13:44