É natural que as sociedades progridam e que essa ideia de progresso tenha reflexos na melhoria da qualidade de vida das pessoas, o que não é natural é que algumas vezes essa ideia de progresso seja mascarada com meras representações de atributos materiais. Vem tudo isto a propósito da questão dos combustíveis tão presente na agenda pública, aliás vem de um aspecto que para muitos parece ser marginal - o do estatuto do automóvel em Portugal (não digo no mundo de hoje pois sabemos que não é assim tão linear). Ainda no dia de hoje, em plena tarde, contavam-se pelos dedos as pessoas a caminhar pelas ruas da nossa terra, em contrapartida os automóveis eram às dúzias. Ora, quem se lembra até ao início da década de 90 a situação era exactamente inversa. Como mudámos de hábitos em tão pouco tempo e como é grande a nossa dependência. Não falo por mim pois como sabem pertenço ao grupo dos poucos sem automóvel, o que não me inquieta, o que me inquieta é o uso e abuso, muitas vezes apenas para mostrar o dito bólide, num cenário de ostentação e expressão de poder. Na verdade estamos na cauda da Europa mas temos os maiores carrões, os melhores telemóveis, os maiores centros comerciais...

publicado por José às 23:34