Genericamente foi este o título que fez manchete ontem e continua a fazer hoje para dar conta dos 23 desgraçados detectados ontem na ilha da Culatra, Olhão. Sei que a questão é delicada, não me cabe a mim definir as políticas que regulam os fluxos migratórios, o que me deixa perplexo é o tratamento que a questão tem. São poucos os exemplos que relatam o famoso "salto", sobretudo para França, ou por haver falta de conhecimento, desculpa na qual não acredito, pois essa geração apesar de não ser jovem pode dar o seu testemunho; ou por falta de interesse, ou então de empenho. Não posso de elogiar o Joaquim Furtado pela série da RTP sobre a Guerra de África, faz falta alguém como ele que tenha a coragem de fazer uma série sobre a questão do "salto". Não teremos de ter vergonha do nosso passado, agora, apesar da crise financeira, parece que somos um país de ricos e, devido a tal, queremos esquecer parte da nossa história recente. Aqui a comunicação social, sobretudo a televisão, mas também o cinema, podem desempenhar um papel importante. Não vamos ignorar a nossa história para se tratarem pessoas em iguais condições como criminosos.

Não deixei de comentar este problema, pois faz parte de nós, a nossa terra e a nossa região em tempos viu partir os seus, também eles seguiram caminho em condições perfeitamente miseráveis, mas queriam o melhor para os seus, por isso partiram, quase sempre deixando para trás as esposas, os filhos e os pais. Não vamos pois condenar os outros por quererem seguir os mesmos objectivos, naturalmente que se exige o respeito pelas regras internacionais, mas também se exige o respeito por estas pessoas, que só partem por não terem alternativa nos seus países, maldita globalização.


 

P.S. Ao contrário de um comentário deixado aqui no blog Espanha não é um bom exemplo, de qualquer forma não adianta apontar o dedo a ninguém, importa é implementar soluções globais que resolvam esta necessidade, pois se a globalização apenas serve para ter produtos baratos, obtidos com suor e sangue sabe-se lá de quem, não serve para nada, está apenas ao serviço de interesses.

publicado por José às 10:53