Numa altura em que o mundo olha cada vez mais para a defesa da natureza como um empecilho a um modelo de desenvolvimento que nos engole enquanto cidadãos, para nos encarar como agentes económicos ou, e sobretudo, como consumidores, comemora-se hoje o Dia Mundial do Ambiente.
Trata-se cada vez mais de um Dia da Memória, pois o espaço natural apresenta-se cada vez mais ameaçado. Por outro lado, quem defende o ambiente volta a ser mencionado como radical ou mesmo como louco. Naturalmente que de um lado e do outro existem radicais. A questão aqui é que não deveria existir nem um lado nem o outro, apenas a defesa do interesse de todos, ou seja do Planeta.
Não é fácil mudar mentalidades, quer nacionais quer internacionais, basta ver o exemplo das alterações climáticas, parece que finalmente surgem na agenda das prioridades, mas após anos de intensas pressões. Já nem falo no efeito do mercado de emissões sobre a agenda política ou mesmo da teimosia em se consumir energias fósseis não renováveis e poluentes.
Este é em poucas palavras o contexto em que se comemora o Dia Mundial do Ambiente, embora cá pela capital a agenda tenha sabor eleitoral. O ambiente não deveria ser isto, uma espécie de obrigação ao qual poderemos escapar, o ambiente deveria ser, isso sim, alvo do empenho voluntário e espontâneo de todos nós. Se todos nós encararmos o exercício da cidadania dessa forma, será preciso tão pouco para fazer retroceder tanta degradação espalhada pelos vários cantos do mundo, começando pela degradação das condições de vida de alguns de nós. É preciso devolver ao Homem e ao Planeta a dignidade que merecem.
publicado por José às 14:17