A determinada altura alguém deixou neste blog ou alguém me passou um blog onde era afirmado em jeito de inscrição numa tabuleta algo do género "Finalmente chegou a democracia a Nelas". Como a minha concepção de democracia não passa unicamente por mudanças partidárias desconfiei. Não é mudar a cor do partido no poder, mantendo muitas vezes caras que se cruzam ao sabor de interesses particulares, não é de todo uma manifestação democrática na sua essência. Ainda que a alteração de lideranças partidárias faça parte do ciclo democrático. O que não faz parte do ciclo democrático é o exercício da arrogância, o querer fazer passar a mensagem que um grupo ou partido é melhor que o outro. Isso não é política. Quem se empenha no exercício político deve saber honrar o lugar que ocupa. Infelizmente a política não possui no nosso país a dignidade que merece, sem que com isso o comum cidadão se insurja, pelo contrário, ou opta pela popular reinação tipo "Maria vai com as outras" ou então cinge-se a um silêncio que é logo aproveitado pelos poderes eleitos, repito, eleitos.
Como devem imaginar, tudo isto se deveria aplicar a Lisboa e a Nelas, pois ao que parece padecem de maleitas idênticas. Embora sem conhecer os contornos do que se passa em Nelas, apenas sei o que foi divulgado na imprensa, tudo indica que o sorriso de que tanto se falou na campanha eleitoral deve ser agora um careto, a julgar pela expressão de maledicência gerada. Resta saber onde vai parar tudo isto. Estranho é que os líderes que apoiaram a coligação em Nelas também o tenham feito em Lisboa, as receitas é que agora parecem ser distintas. Não quero com isto dizer que concordo com a presunção da culpa, bem pelo contrário, apenas quero aludir a uma eventual diferença de critérios. Mas ainda é cedo para se obter respostas.
publicado por José às 20:38