Esta é uma imagem da nossa terra e da nossa região, um pedaço do nosso património a que, porventura, fechamos os olhos, contudo é um documento da nossa história, das tradições e da relação genuína das nossas gentes às serras. Tenho reparado em exemplos semelhantes na passagem por estações como Santarém ou Vila Franca de Xira. Este exemplo foi colhido esta manhã na estação de Nelas, infelizmente sem o indispensável tripé, todavia creio exemplificar todo esse património da azulejaria portuguesa existente um pouco por todo lado.
Repare-se que se trata de um painel que retrata não apenas uma mulher, mas sim uma Serrana da Serra da Estrela, em pose, com o seu traje costumeiro e com os objectos do quotidiano. Mas se, por um lado, exibe os modos e os predicados de uma mulher serrana, também nos mostra uma obra da azulejaria portuguesa, no caso do Outeiro de Águeda. Sem esquecer a assinatura do painel por F. Pereira, 1947. Sem esquecer que se tratam como que de cartazes turísticos de luxo promovidos pela Junta de Turismo Nacional.


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Pena é que o património representado não tenha direito a ser elevado à sua qualidade de documento histórico. Falo nomeadamente do seu potencial como produto televisivo. Sem querer entrar em discussões sobre o que é ou não serviço público, até porque as televisões privadas têm também de assumir responsabilidades nesta matéria, não percebo porque motivo o nosso património contínua esquecido. Curiosamente ou não, o nosso dinheiro serve para comprar programas sem qualquer interesse.
A mesma questão se coloca relativamente aos nossos museus. Parece impossível o que se passa, com tanto museu e com tanta actividade exercida genericamente por todos eles e as nossas televisões apenas têm as câmaras apontadas para o deboche, para a vida alheia, realmente falta sentido de serviço público, mais ainda, faltam critérios no agendamento do que é ou não notícia. Mas isso é outra reflexão, pois quis apenas partilhar aqui algo de muito nosso.
publicado por José às 17:33