Tenho estas palavras guardadas desde a passada semana, os afazeres são muitos e a urgência na sua divulgação é relativa, pois o mais importante é partilhar este instante. Falo praticamente de mim próprio e do que tem sido este último mês e meio de incerteza e agonia. Falo certamente do problema de saúde que afectou a minha mãe, embora remeta para a esfera do privado uma parte. Apenas venho a público, por um lado, para evitar especulações; e, por outro lado, por respeito e agradecimento a todas as pessoas que estiverem e continuam a estar presentes em todos os momentos que importa ultrapassar.

Refiro-me a esta espécie de lotaria invertida, pois é preciso ter muito azar para se acertar numa doença que afecta, segundo dizem algumas estatísticas internacionais, cerca de 1,34 pessoas em 1 milhão (o que por cá dará cerca de 13 pessoas em toda a população portuguesa). Esse prémio invertido dá pelo nome de mielite transversa, cuja origem poderá ser um vírus ou uma bactéria, mas as causas não sei se estão assim tão determinadas, sei que provoca vários problemas, entre os quais a paralisia dos membros inferiores, como foi o caso. As estatísticas alimentam alguma esperança na recuperação, embora possa levar ainda algum tempo.

Este é daqueles momentos em que subitamente percebemos a fragilidade da existência e a importância de quem nos pertence, pois subitamente tudo ocorre, sem manifestação de vontade ou pedido expresso, apenas porque sendo humanos estamos expostos a tudo. É nessa condição que, igualmente, deveremos usar todas as nossas energias para enfrentar o desconhecido, acreditando que existe remédio para quase tudo na vida e que sem essa coragem somos apenas matéria.

Concluo retomando aqui o agradecimento feito em momento anterior, aos profissionais do HUC, pelo profissionalismo e pelo trato, e a todas as pessoas que estiveram e estão presentes de uma forma ou de outra.

publicado por José às 10:29