Caros amigos! Mais uma vez em jeito carta escrita cá estou eu perante a vossa companhia. Desculpem-me pelo facto de não poder estar com mais frequência convosco, ainda que seja esse um desejo meu. Apesar da minha distância física são muitos de vós que sabem que eu vos tenho sempre presentes, de igual modo nunca retiro a nossa terra da minha memória, continuo como outrora a pisar as pedras da calçada, a refrescar o rosto numa fonte numa tarde quente de Verão, a pisar a terra já batida dos caminhos que chegam às nossas matas e às nossas propriedades.
Esses são mais do que motivos para desvendar alguns segredos, que a mim mesmo nunca me tinham sido revelados. Foi assim que um destes dias de forma serena percorri as páginas de um dos volumes do grande dicionário sobre localidades deste país que Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal escreveu em 1874, com o título principal: Portugal Antigo e Moderno. Já conhecia alguns dos volumes desta obra, por isso decidi percorrer nas suas páginas o momento em que este falaria do nosso Folhadal e de Nelas. Infelizmente ao pesquisar por Folhadal nada encontrei, mas quando quase tinha desistido ao pesquisar por Nelas deparei-me com uma breve história do nosso concelho e quase no fim, como uma parte solta, com diversas informações sobre uma localidade designada por Toladal, facto que me intrigou, pois não imaginaria tão estranho nome. Enganem-se os que pensam que poderei ter visto mal e será porventura Foladal em vez Toladal, pois também me surgiu essa dúvida, por isso verifiquei se estava correcto.
No volume percorrido, após uma descrição de «Néllas» - referente sobretudo à sua localização, número de fogos, Santa Padroeira, total de freguesias e referências as forais de «Néllas» e «Cannas de Senhorim», ambos dados por D. Manuel em Lisboa a 30 de Março de 1514 -, a obra de Pinho Leal apresenta então o Toladal, que pela descrição seguinte coincide com o nosso e formoso Folhadal.
Inicia-se deste modo essa referência ao Toladal:
«Ha n'esta freguezia a aldeia do Toladal, situada em um monte a 1:200 metros do rio Mondego, e 3 kilometros de Cannas de Senhorim Distâncias que nos fazem duvidar sobre a coincidência com o actual Folhadal;
No centro d'esta aldeia, está a capella da Senhora da Tosse, fundada pelo povo d'este lugar, no meio de um grande terreiro, onde se vê uma frondosa amoreira. A amoreira não sei se existiu mas parece não existir dúvidas de que se trata do Folhadal.
Prosssegue.
É tradição que a primitiva ermida da Senhora da Tosse, era junto à margem direita do Mondego e que foi mudada para aqui, por causa das enchentes do rio Mondego, que a danificavam. Se a memória não me falha o artigo publicado há uns anos por Eduardo Proença-Mamede dá conta dessa mudança da ermida.
Faz-se festa d'esta Senhora, na 2.ª oitava da Paschoa, e é muito concorrida.
N'este dia costumavam vir aqui em procissão, os povos das freguezias de Cannas de Senhorim, Villar Sécco, Senhorim e Néllas, com seus respectivos parochos.
(...)» (In Pinho Leal (1874), Portugal Antigo e Moderno (...), vol. VI).

Amigos! Este Toladal naturalmente só pode ser o nosso Folhadal. Estou estupefacto com tudo isto e a cada dia com mais vontade de descobrir novos elementos sobre esta nossa terra, pois pessoalmente ignorava esta designação. Dependerá certamente do tempo que possa disponibilizar e da vossa ajuda, pois não me parece que deva ser apenas um capricho meu. Durante os últimos anos tenho feito várias propostas, algumas bem recebidas outras ignoradas, mas penso que esta referência directa ao Folhadal de todos nós despertará o vosso interesse pela nossa terra e pela sua história. Assim termino com um pedido: acrescentem o vosso contributo ao meu contributo. Assim transmitiremos o passado e o presente aos vindouros.


José Gomes Ferreira
publicado por José às 11:16