Porque no devido tempo foi impossível da minha parte dar resposta ao artigo do Sr. M. Borges, «Toladal ou Folhadal», onde comentava e esclarecia alguns pontos relativos às origens do nome da nossa terra, após a publicação de um artigo meu sobre a mesma matéria, venho agora tecer alguns comentários ao citado artigo.
Este meu segundo artigo apenas ocorre porque convém fazer alguns esclarecimentos, não tanto sobre as origens do nome da nossa terra, mas mais sobre o contexto em que surgiu o meu primeiro artigo e sobre a estrutura do artigo que lhe sucedeu. Relativamente ao meu primeiro artigo, convém, desde já, advertir o leitor que não me confesso conhecedor do passado da nossa terra. Como a maioria de nós, pouco sei, por isso quando algo de interessante surge penso ser meu dever divulgar essas informações, foi assim que em presença dessa convicção escrevi as palavras que escrevi. Note-se que esse meu artigo é denominado: «Toladal ou Folhadal: contributo para a história da nossa terra». Acredito que tenha sido de facto um contributo, pois devido a ele o Sr. M. Borges escreveu o seu artigo e partilhou connosco um conjunto de informações preciosas sobre este nosso Folhadal, informações que sem o meu artigo poderiam não ser divulgadas tão amplamente e assim colocadas no éter para a posteridade.
Sobre o meu primeiro artigo cabe-me dizer que apenas ocorreu porque me deparei com aquela pequena referência, foi então que ao sentir poder ter interesse substantivo para a nossa terra que achei por bem fazer a sua divulgação. Note-se que em todo este processo não assumi uma posição pessoal sobre a matéria, pois não estou perante uma matéria em que possa assumir objectivamente uma opinião. Trata-se de uma matéria que implica investigação aprofundada, para o qual não sei se terei o engenho e a arte, nem disponibilidade imediata, nem um possível financiamento de alguma entidade, uma vez se tratar de uma tarefa que implica uma enorme entrega de quem a ela se dedicar. Não quero com isto dizer que não possa dar o meu contributo, é, aliás, com esse objectivo que sou conduzido a escrever alguns artigos para este nosso Planalto, e escrevo movido pela convicção de que as minhas opiniões podem configurar algum contributo válido.
Antes de qualquer referência ao extracto de Pinho Leal, retirado do seu Portugal Antigo e Moderno, e por mim transcrito, será oportuno tecer um breve comentário ao artigo do Sr. M. Borges, não aos conteúdos, esses parecem surgir apresentados de forma rigorosa e sabida, mas ao contexto em que a sua apresentação surge. Pela minha parte, e quem sabe por parte de alguns leitores, fico sem saber a quem é dirigido o primeiro dos parágrafos. Como se pode ver, o artigo do Sr. M. Borges começa por fazer uma alusão ao meu artigo, mas depressa se desliga dele, ou não, quando nos diz, passo a citar: «Na verdade trata-se duma incorrecção grosseira sem nenhum crédito, porque o nome Folhadal (...)», depois prossegue com a descrição à origem do nome.
Ora, o que está em causa é que tenha ou não Pinho Leal feito a menção correcta à nossa terra, ficamos sem saber a quem se referem as palavras «incorrecção grosseira» e «falta de crédito», não está esclarecido se é a mim próprio, acredito que não sejam. No caso de ser a mim próprio não vou fazer comentários de qualquer índole, pois o Planalto não deve ser usado em promoção própria. Se os comentários são dirigidos à referência de Pinho Leal, pela minha parte aceito as correcções feitas, embora seja interessante verificar o motivo a que se deve a incorrecção de Pinho Leal. Seria de facto um «incorrecção grosseira» por parte dele ou o termo «toladal» não nos surge por acaso? Questões que ficam sem resposta. No entanto, aceitando, como o fazem algumas enciclopédia, que «toladal« designa a área / povoação entre ribeiras, não estranharia se a hipótese de Pinho Leal tivesse um pouco de verdade, foi aliás perante essa possibilidade que decidi publicar o primeiro artigo sobre a matéria, mas isso é mera especulação da minha parte.
Seja como for, com os artigos publicados sobre a mesma matéria, de que este é pelo menos o terceiro, fica o lugar da nossa terra perpetuado por mais uns anos, através do nosso Planalto, isso é que realmente interessa. Pena é que o conjunto de saberes sobre o nosso concelho continuem dispersos, pela parte que me toca, e estou certo, pela parte de muito de nós, seria uma grande obra para o nosso concelho conseguir reunir em livro texto e fotografias dos locais, dos principais elementos e momentos da nossa história, assim se perpetuava a memória de muitos e assim se promovia de forma bem visível esta terra de todos nós. Fica o desafio às entidades oficiais, fica o desafio aos beneméritos e mecenas.
Para terminar, em resposta à disponibilidade do Sr. M. Borges para me enviar os dados sobre a nossa terra, muito agradecia da sua parte que os fizesse chegar até mim. Como grande parte dos leitores sabe tenho todo o interesse em escrever mais sobre a nossa terra, apesar de me encontrar um pouco afastado e de sempre vários afazeres. Mas terei todo o gosto em contribuir na reconstrução histórica do nosso Folhadal.


José Gomes Ferreira
publicado por José às 11:16