Os afazeres dos últimos meses não têm cedido tempo e espaço para estar mais vezes na nossa terra, nem para dedicar a ela algumas palavras. Dados todos esses constrangimentos as breves palavras que aqui deixo são meros apontamentos de um fim de semana, uma curta estadia da qual foi possível recuperar algumas temáticas que aqui são apenas esboçadas em três apontamentos.
As primeiras palavras vão para a estrada de ligação de Nelas às Caldas da Felgueira, que no troço Nelas-Folhadal deveria ter agora uma esplendorosa Avenida. Aquando da última visita, em Agosto, as obras em curso ainda faziam prometer uma vistosa Avenida, capaz de ser o orgulho de todos nós. Contudo, lamentavelmente, meses depois, as obras estão paradas, sobre os motivos dessa paragem não me detenho, pois não falo sobre o que desconheço, nem sobre a possibilidade desta ser uma Santa Engrácia do alcatrão, mas tenho de mencionar o perigo que as obras paradas representam.
A má imagem das obras paradas desfaz qualquer expectativa que sobre o futuro se tinha, para além de dar uma triste imagem do concelho. O perigo que a obra representa está bem patente em vários exemplos, na impossibilidade de deixar uma lista exaustiva deixo dois exemplos: a falta das linhas tracejadas é um perigo acrescido na condução, principalmente nocturna, no inverno que se aproxima; o poste eléctrico que se encontra quase à entrada de Nelas, praticamente no meio da via, mais parece uma obra do demónio, pelo facto de não deixar antever nada de positivo.
O segundo apontamento de fim de semana que aqui deixo prende-se com as sepulturas antropomórficas existentes no Pombal. Lamento que as minhas sucessivas palavras não tenham qualquer efeito, quer nas entidades públicas, quer no cidadão anónimo. É uma VERGONHA que as sepulturas estejam apenas a ser utilizadas como mais um espaço para ajudar ao estacionamento automóvel, assim se massacrando com pneus os pedaços que restam da nossa história. É mais do que o momento indicado para se ter vergonha deste deixa "andar". De nada serve a minha sistemática tentativa de zelar pelo nosso património. Clamei pela defesa das sepulturas, sugeri a existência de um Museu Etnográfico, fotografei objectos do quotidiano, deixei as minhas memórias expostas para o bem comum, mas nestes anos todos apenas o tempo passou, NADA foi feito e se o foi serviu apenas para evitar a sua maior mediatização.
Deixo ainda um último apontamento, infelizmente, na sequência dos anteriores. Refiro-me à demolição da pequena "cantina" existente junto da Escola Primária e que estaria a servir o pré-primário. Sobre a demolição em si nada tenho a dizer, o mesmo não digo da sua não reconstrução. A entidades que promoveram a demolição do velho e pequeno anexo esqueceram tanto a sua história como a sua função social, a sua não reconstrução reforça esse esquecimento. Assim os cerca 50 anos de história são pervertidos pelos martelos da frieza e a sua função social é iludida pela compensação do serviço prestado pela Associação.
Não quero com isto dizer que a Associação não possa substituir a "cantina". Justiça seja feita, a nossa Associação deverá ser um motivo de orgulho para todos nós, pelo trabalho que durante décadas tem feito em prol de todos nós. Motivo que, aliás, deveria ser mais do que suficiente para ser alvo do reconhecimento por parte das entidades públicas, locais, regionais ou nacionais, basta que estas não se esqueçam do importante papel desempenhado pelas associações com as características da nossa.
No presente apontamento a questão que se coloca é a da deslocação das crianças, que assim passam a deambular de um lado para o outro para receberem um bolacha e retribuírem com um sorriso. Suponho que o frio e a chuva, ou os riscos porque possam passar não valem tamanho esforço.
Amigos! Não sei o que leva os nossos representantes a tomarem este tipo de decisões. Sei que o momento é de crise generalizada, mas também sei que caso não se criem as condições à fixação das pessoas nos lugares, sobretudo no interior, este país não tarda estará prestes a transformar-se numa pequena faixa litoral que albergará todos os habitantes e numa grande faixa interior apenas com pedras, mato e incêndios. Por tudo isso e por muito mais, pela minha parte e pela parte de todos aqueles que se identificam com as minhas palavras solicito a quem de direito:
«Por favor! Integrem o cidadão e o respeito pelos valores naturais e patrimoniais nas políticas públicas»
Com este apelo termino os apontamentos que numa visita breve à nossa terra foi possível registar.

José Gomes Ferreira
publicado por José às 11:28