Parece quase um lugar de encontro com as palavras cada viagem que efectuo à nossa terra, nesse momento encontro os lugares, as pessoas, as sílabas e os acentos que preenchem depois páginas deste nosso jornal. Embora sem muita matéria consistente para fundar como notícia, principalmente porque os afazeres me afastam destas paragens, achei que deveria escrever umas breves notas, pelo simples facto de considerar que se justificam. São meros apontamentos, por sinal escritos na progressão do comboio rumo à capital, parece que assim as memórias, os lugares e as pessoas estão coloridas de um certo sentir que importa recuperar e partilhar.
Dados os condicionalismos da própria viagem e das tecnologias serei breve, o objectivo principal é deixar um relato de alguns aspectos que penso serem motivo de nota. Antes disso, porém, quero deixar claro que o meu objectivo, quer neste quer em qualquer outro artigo, não é tecer comentários unicamente de cariz reprovatório, pelo contrário, se reprovo é porque considero que podemos e deveremos em muitos dos casos fazer mais e melhor. Aliás, como já afirmei várias vezes, eu próprio quando escrevo faço-o com a convicção de estar a participar em algo em prol do designado bem comum, sem que seja por mera satisfação pessoal, se assim fosse ficaria em silêncio.
A primeira nota vai para a ausência por doença do professor das nossas crianças, a quem desejo uma rápida recuperação. Não coloco em causa a pessoa do Sr. Professor, o que está em causa é que em 15 dias, pelo menos há data em que escrevo, não apareceu ninguém para o substituir. Meus Amigos! É uma Vergonha! Sei que o Folhadal fica a centenas de quilómetros dos centros de decisão e que não tem importância política nem mediática, mas crianças são crianças em todo o lado, pelo que deveremos zelar pela preparação do seu futuro estejam onde estiverem. Não me parece que sem aulas, algumas delas porventura sem ocupação, esse futuro esteja a ser cuidado. Senhores responsáveis, POR FAVOR, merecemos algo mais que o mero desprezo, também somos portugueses.
A segunda nota é um reparo final da viagem de fim-de-semana, por se situar praticamente na área da Estação de Caminho de Ferro. Cada vez que visito a nossa terra é com amargura que verifico que o edifício onde durante muitos anos funcionou a Escola Preparatória (ou Ciclo Preparatório) está na mais completa ruína. Não imagino se se trata de um edifício público ou de propriedade privada, apenas sei que deveria ser um edifício classificado como Património de Interesse Público e por isso ser recuperado. Penso que muito bem nele ficaria um Centro Cultural, com o Museu que eu teimosamente acredito e quero fazer acreditar ser um elemento a erguer, para que o futuro não esqueça o passado e para que o presente nos encha de orgulho.
Por fim, a última nota que deixo, confesso que hesitei se a deveria ou não expressar publicamente, embora a expresse por vezes em privado. Falo do próprio Planalto, pois também ele deve ser alvo da nossa preocupação e do nosso engenho. Lembro-me que no Verão fiquei muito satisfeito com as mudanças graduais ao nível dos conteúdos. Confesso que nem sempre acompanho todos os números, de qualquer forma, a tendência para privilegiar os acontecimentos de cada aldeia e de cada lugar deverá ser de encorajar. Como de encorajar deve ser a participação dos leitores, que muitas vezes falam de tantos assuntos mas muitas vezes também se abstêm de participar. Não está certo, o Planalto é obra da diversidade, de todos nós, por isso a nós cabe dar-lhe forma. Claro está com a necessária regulação do seu Director.
Mas não são os conteúdos que me desagradam, esses vão fluindo como flúem os quotidianos, o que me desagrada é o grafismo do jornal, em particular da capa e da contracapa. Se é certo que tenho gostos próprios uma coisa também é certa, não é normal um jornal ter tanto colorido, sobretudo num momento de crise como o que se atravessa. Não rejeito o colorido, apenas prefiro expressões de simplicidade. Veja-se o exemplo dos jornais nacionais de grande tiragem e de referência, a maioria dos quais tem sofrido uma evolução gráfica que merece rasgados elogios. Penso que com a participação de todos ao nível dos conteúdos e o necessário acompanhamento ao nível gráfico o nosso muito estimado Planalto só terá a ganhar. Com esta breve critica termino as notas que pensei fazer sentido partilhar convosco.

José Gomes Ferreira

publicado por José às 11:33