Com afazeres mais que muitos só agora se torna possível regressar às páginas deste nosso Planalto. Os mesmos afazeres levam-me a agendar neste artigo três temas, embora reconhecendo que o ideal seria desdobrar o mesmo artigo em três artigos mais pequenos. Limitações à parte, os temas de que pretendo falar são os seguintes: como viveu o país e o concelho o frio extremo? Para quando a requalificação da estrada do Folhadal? Breves comentários sobre o fim do porte pago. Estas são as temáticas que a seguir vou procurar abordar de forma sintética.

Como viveu o país e o concelho o frio extremo?
Este Inverno o frio que se fez sentir por todo o país agravou muitos dos problemas que periodicamente o afectam. Falo da situação de seca e dos seus efeitos directos na agricultura e na criação de gado – sendo que no nosso concelho tem afectado, sobretudo, as sementeiras. Todavia, os efeitos mais graves do frio registaram-se a dois níveis, motivados pelo facto do frio ter surgido repentinamente e com temperaturas que as pessoas mais idosas não têm memória. Os dois níveis de que falo foram os seguintes: em primeiro lugar importa referir as eventuais mortes resultantes desse pico repentino e extremo de frio; em segundo lugar incluo os efeitos indirectos no abastecimento de água, ao provocar a destruição de várias centenas de contadores de água. A tudo isto acrescem os elevados custos energéticos para o país, uma vez que sem água nas barragens a solução de recurso parece ter sido, na sua grande maioria, a energia produzida a partir do carvão nas centrais térmicas nacionais. Esta é uma opção com graves consequências, por um lado, porque o carvão (e mesmo o fuel e o gás natural) é importado; por outro lado, porque o carvão tem um forte impacto no ambiente, é mesmo uma das principais fontes poluidoras do ar. Importa relembrar que entrou em vigor o Protocolo de Quioto e, em resultado dessa realidade, a seca prolongada vai aumentar a factura que o país terá de pagar no mercado internacional de emissões de carbono.

Para quando a requalificação da estrada do Folhadal?
Apesar de ter nome de rua, tantos anos passados a estrada de acesso ao nosso Folhadal permaneceu idêntica ao que sempre foi – uma aceitável faixa de alcatrão e uns passeios inexistentes. Essa permanência não teria qualquer importância não fosse o acentuado crescimento urbano da nossa terra, motivo que justificaria, desde logo, a sua transformação em rua ou avenida, com os respectivos passeios, com lancis. Aliás, não se entende o motivo de tal ter sido feito apenas na nova avenida de ligação à nossa terra (ainda que um pequeno troço esteja em falta) e o restante percurso tenha sido ignorado, o mesmo se passa com a iluminação. A situação não se prende apenas com questões estéticas, a questão principal prende-se com eventual risco para os peões decorrente da ausência de passeio, um risco agravado nos últimos anos com o aumento do parque automóvel. Relembro aos nossos autarcas que o concelho deverá ser desenvolvido integralmente, não quero sequer pensar na possibilidade de persistirem no país ideias do passado, de um “desenvolvimento” desequilibrado, que privilegie algumas localidades em desfavor de outras. Peço, assim, aos nossos autarcas que levem em linha de conta os reais interesses das nossas gentes e procedam, logo que possível, à requalificação de tão importante via. Todos nós esperamos essa capacidade de iniciativa dos poderes públicos e merecemos deles toda a atenção. Mas também não podemos ficar de braços cruzados, pois ser cidadão implica agir nos momentos-chave.
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Breves comentários sobre o fim do porte pago
Foi com tristeza que li numa das páginas do nosso jornal que este tinha perdido o direito ao porte pago. Convém frisar que minha tristeza não é motivada pelos novos preços apresentados, embora acredite que os leitores venham a achar que é caro, contudo importa que tenham consciência que esse pequeno esforço representa muito para todos nós. Na verdade, esse pequeno esforço corresponde a um pequeno exercício de cidadania, embora silenciosa. A minha preocupação não tem a ver com essa questão, tem principalmente a ver com o papel desempenhado por publicações como a nossa num contexto global. Acreditem que com a globalização reinante a imprensa local e regional tem um importante papel a desempenhar – dar voz aos anseios locais. Sem a imprensa local e regional a informação que a nós chegará será formatada nos gabinetes dos grandes grupos que controlam a comunicação social a nível mundial. Para que isso não aconteça os jornais como o nosso Planalto assumem-se pela diferença e por agendarem as temáticas particulares, isto é, locais, no global. O nosso Planalto tem de estar preparado para esse realidade, por exemplo, terá de se concentrar sobretudo em temáticas locais e ser atractivo para os leitores. Naturalmente que esse esforço não se consegue apenas pelo capricho de alguns, terá de envolver toda a comunidade, quer os sujeitos individuais, quer as entidades colectivas – públicas e privadas. Só esse esforço permitirá em cada edição perpetuar o labor dos nossos antepassados.

José Gomes Ferreira
publicado por José às 14:59