Existem determinadas matérias que, pela sua delicadeza, não tenho vontade em abordar, nem gostaria de ter de o fazer. Todavia, pela sua gravidade, acredito que tenha alguma responsabilidade social em trazer estas notícias aos leitores. Entre as matérias que evito, tal como todos sabem está a política partidária, a religião, o futebol, entre outros, quer porque têm a ver com convicções que a cada um dizem respeito, quer por fazerem parte de uma esfera onde não pretendo intervir. Seja como for, estes exemplos são de relativa aceitação pública e perfeitamente enraizados em diversas culturas, cada um deles devidamente institucionalizado em praticamente todas as sociedades. Dai que falar deles ou não falar é apenas uma opção do sujeito que escreve.
O mau exemplo que trago com estas minhas palavras é do domínio da malvadez, da depravação e de uma conduta não apenas desviante, sobretudo profundamente reprovável. Estamos perante um daqueles exemplos que envergonham as sociedades ditas modernas, embora com um historial que acaba por ser também ele motivo de vergonha e de silêncio. Segundo o que me foi dito, num número anterior ao da publicação deste meu grito de alerta, a minha tia Eugénia fez a devida referência ao triste episódio, por esse facto não entro em pormenores, não posso é deixar de manifestar a minha indignação e a de todos nós, nem deixar de reforçar tudo o que possa já ter sido dito, dada a extrema gravidade do acontecido.
Antes de ir mais longe retomo as notícias sobre a recuperação do parque infantil do nosso Folhadal, a que o nosso Planalto já teve oportunidade de dedicar algumas palavras, eu próprio já o tinha feito, principalmente no blog que dedico à nossa terra. O momento imediatamente a seguir à recuperação daquela importante infra-estrutura para as nossas crianças foi de regozijo e até de algum orgulho, pois é também um exemplo de que somos cidadãos e somos reconhecidos pelos poderes públicos enquanto tal. Nos últimos dias os motivos para festejar a alegria das nossas crianças têm assumido formas de alguma revolta e de uma profunda tristeza e estupefacção por parte do povo anónimo.
As más notícias sobre a conduta sexual de algumas pessoas infelizmente não nos surgem apenas dos tablóides nacionais, onde desmascaram eventuais comportamentos privados obscenos e abjectos de algumas ditas figuras públicas. A pacatez da nossa terra (lamentavelmente com exemplos pelo mundo fora) foi subitamente interrompida com um tremendo burburinho suscitado pelo eventual aliciamento de uma ou várias crianças (bem) menores por um personagem retirada dos nossos piores pesadelos. Que espécie de homem é capaz de uma tal barbárie? Quem o trava? Quem coloca a salvo as nossas crianças? São algumas das questões que desde de logo se impõem e a que cabe dar resposta.
O meu maior afastamento de momento da nossa terra por questões profissionais não me coloca a par dos últimos desenvolvimentos. Pelo que tive conhecimento as autoridades competentes têm feito as suas diligências, não sei se as suficientes para que deixarem a população descansada. Não cabe na cabeça de ninguém ter um parque infantil novinho em folha e no momento do seu uso o povo descobrir, a vir-se a provar efectivamente, um verdadeiro monstro retirado das suas entranhas. Pois o alegado aliciador de crianças indefesas habita paredes-meias com o parque.
Entre os diversos temores da nossa parte um deles logo salta à vista: “Será possível que com a idade só agora aliciou crianças ou algumas delas têm ao longo de décadas guardado em sofrimento as suas depravações? É de todo conveniente as autoridades apurarem todos os factos e agirem de forma célere e discreta. Sem assumir qualquer pretensão em substituir a voz do povo humilde e respeitador desta nossa terra nesta ou outras matérias não deixo de apelar às eventuais vítimas para que não fiquem em silêncio, para que recorram às autoridades no sentido de as ajudarem a esclarecer algumas das questões. Poderá ser tarde para eles, no caso de existirem, mas o seu contributo poderá colocar um fim a toda esta angústia em que o povo agora vive.
Não deixo igualmente de apelar às autoridades para que, por um lado, procedam às necessárias investigações e conduzam o processo até onde deve ser conduzido (à responsabilização criminal do alegado agressor). E, por outro lado, para que vigiem o parque infantil e o alegado agressor, tomando todas as medidas que possam garantir que não se repitam tão horripilantes cenas. Naturalmente que cabe também ao povo agir, o povo tem de estar alerta para que tudo isso não se repita, para que não sejam destruídas vidas por causa de um acto monstruoso e ignóbil de alguém que parece revelar estar em profundo desequilíbrio. Não quero com as minhas palavras apontar o dedo a ninguém sem que a culpa seja formada, até ao momento tenho todos os motivos para acreditar nas nossas instituições e no papel que a cada uma está reservado.

José Gomes Ferreira
publicado por José às 09:52