Antecipo desta forma a ideia de escrever, logo que possível, um artigo sobre a obra social da Associação do Folhadal – Centro Social, Cultural e Recreativo. Dou por agora ênfase à sua dimensão mais popular e convivial, pela maior facilidade de identificação de cada um de nós. Não o faço para procurar defeitos, embora possam existam (mas esses andam sempre na boca do povo, por vezes com exagero e sem ponta de verdade). Escrevo para confirmar laços entre as pessoas e deixar um testemunho a quem vier; para deixar uma prova escrita desses laços e dessas pessoas. Faço-o, também, por me sentir parte presente. E para exaltação do sentido e lugar desta nossa comunidade.
Estes parecem-me motivos mais do que suficientes para dedicar um pouco do meu tempo e das minhas palavras à renovação do Bar da Associação, resultante da mudança de gerência. Sem querer criticar ninguém, não deixo de afirmar que quando se trabalha com gosto as coisas resultam, fazer as coisas por frete não deixa ninguém contente. O que se espera é que seja, ainda mais, reforçado o empenho agora manifestado.


bar2.JPG


Naturalmente que não estou a fazer publicidade ao bar, não tenho qualquer motivo particular para o fazer. Peço desculpa à eventual concorrência se as minhas palavras tiverem em si um efeito negativo, não é essa a minha intenção. Pretendo apenas dar voz à mudança e à permanência, entendendo aqui permanência na sua acepção mais nobre, como lugar de memória e expressão da confraternização popular. Pois é disso que se trata. Quer seja na Festa das “babes”, algo ultra moderno para as gerações mais velhas, quer na Festa da Música Pimba, paradoxalmente, algo melhor interpretado pelas gerações mais velhas. Mas aqui se cruza passado, presente e futuro, sem fricções geracionais ou conveniências de momento. Aqui ninguém reivindica ser quem é, aqui somos todos iguais.

bar1.JPG

Este é o lugar e o sentido da comunidade, o seu refúgio, o seu aplauso, o calor que nos une como filhos desta terra e como beirões que somos. São essas qualidades que surgem reforçadas nesta mudança de iniciativa, que conta com uma adesão impar por parte de todos (ou de muitos, para ser sincero).
O nosso Folhadal pode ter os seus defeitos, contudo, ao manter laços de proximidade tão fortes vê reforçada a sua identidade e serve de exemplo a outras comunidades. Aqui entra o efeito da comunidade local, com um simbolismo e uma riqueza que os seus membros entendem e perpetuam. E não é preciso um diploma para entrar neste espaço, apenas é preciso que cada um se sinta como sendo parte integrante e indispensável, pois apenas juntos garantimos efectivamente a reprodução da nossa união. Não tenho dúvidas, este é por excelência o lugar pagão onde a colectividade sai reforçada e prolongada.
Ao terminar esta minha breve exposição não esqueço uma mudança mais estrutural, refiro-me à mudança de atitude que tem sido alimentada nos últimos anos relativamente ao que posso denominar como sendo as “idas ao café”. Se bem se lembram, essa simples prática nem sempre foi motivo de festejo. É um facto que, permanecendo nós no meu quadro cultural, algumas práticas foram gradualmente aceites e assimiladas como sendo parte de nós. Mesmo assim evito imagens que possam ser vistas como exaltação da boémia, pois não é disso que (conceptualmente) se trata.


José Gomes Ferreira
publicado por José às 12:45